sábado, 31 de outubro de 2009

Ariadne Auf Naxos - Richard Strauss

Modigliani, Nu de Costas


Todas as coisas temem o tempo
o inverno do amor,
os despojos da memória-,
mas o tempo teme a nomeação
de um instante de beleza
erguido pelo corpo no vazio


Jorge Gomes Miranda, Falésias

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

KAMBROSIS












Sobre os rostos esquecidos e marcados pela vida, Kambrosis faz questao de nos levar ate eles... para que nao esqueçamos que existem.
Para mim um fotografo genial!
http://www.woophy.com/member/Kambrosis

ATLANTIDA

Ainda na onda das revistas culturais, o JL informa que a revista Atlantida (mais uma desconhecida para mim), acaba de publicar o seu ultimo numero (anual) e cujo dossier tematico ´´e dedicado a Jose Machado Lourenço.



Adorei a foto da capa e a forma como foi editada!
Coloco de seguinte alguma informaçao que fui buscar ao sitio:

http://www.iac-azores.org/newsletter/2009/24.html

O IAC-Instituto Açoriano de Cultura acaba de colocar nas bancas a Atlântida-Revista de Cultura, vol. LIII, referente ao ano de 2008. A revista agora editada, mantém uma linha de design gráfico dinâmico e actual, dando continuidade ao modelo iniciado no ano anterior.À semelhança dos anos anteriores, a revista sai do prelo numa edição em papel acompanhada de separata, bem como numa edição em CD-ROM.A edição em CD-ROM contém para além do conteúdo da revista de 2008, os fascículos do vol. IV desta revista, publicado no ano 1960.A Atlântida-Revista de Cultura abre com um dossiê temático de homenagem a Monsenhor José Machado Lourenço, no âmbito do 1º centenário do seu nascimento, da autoria de Jorge Augusto Paulus Bruno, Artur Cunha de Oliveira e Onésimo Teotónio de Almeida. Seguem-se vários artigos organizados em quatro secções (“Estudos e Criação Artística”, “Estudos e Criação Literária”, “Ciências Humanas”, e “Outros Saberes”): “A Arquitectura dos Impérios do Espírito Santo no Brasil Meridional: uma contribuição Açoriana”, por Fabiano Teixeira dos Santos; “Energia Musical Irrealizada”, por Jorge Lima Barreto; “Música Electrónica Documenta”, por João Marques Carrilho; “A Ilha Perdida”, por Maria Alice Borba; “Contos VII-XI da Canção “Vozes em Uníssono”, por António de Névada; “Gabriela Silva na Essência do Ilheunismo” por Nuno A. Vieira; “Dor de Dentes”, por Manuel Machado; “Uma Leitura Possível: Os Trabalhos e os dias” por António de Névada; “Cartas de Brasão D’armas de Naturais e/ou Relacionados com os Açores”, por Sérgio Avelar Duarte; “Produção e Consumo de Cereais na Ilha de São Jorge Durante a Segunda Metade de Século XIX” por Paulo Silveira e Sousa; “A Difícil Nomeação do Cardeal Costa Nunes”, por Maria Guiomar Lima; “A Bateria da Castanheira: da II Guerra à Actualidade por Sérgio Alberto Fontes Rezendes; “Ferreira Deusdado: Um Transmontano nos Açores”, por Filipe Pinheiro de Campos; “2009, “Ano Darwin” Sobre Charles Darwin e o Evolucionismo”, por Luís M. Arruda; “A Escassa Difusão, nos Açores, das Notícias Europeias”, por João Aranda e Silva.

MEALIBRA

Doce amiguinha, deparei-me com o anuncio de uma revista (desconhecida para mim) do Centro Cultural do Alto Minho, Mealibra, que publica o seu numero 23, e pelos vistos dedicada em grande parte a Fernando Pessoa, abrindo inclusivamente com um texto inedito: O Peregrino. Acabei agora mesmo de ler esta informaçao no JL desta quinzena e pareceu-me interessante chamar a tua atençao para o artigo (pagina 42).
O sitio da internet tem pouca informaçao mas podera esclarecer um pouquito (bem pouco!) sobre este polo dinamizador de cultura... do Norte!


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lamento por Diotima - Vasco Graça Moura

Pranto de Ménon por Diotima - Friedrich Holderlin





Pranto de Ménon por Diotima

De nada serve,ó deuses da morte,enquanto tiverdes
Em vosso poder,prisioneiro,o homem acossado pelo destino,
Enquanto,no vosso furor,o tiverdes lançado na noite tenebrosa,
De nada serve então procurar-vos,suplicar-vos ou queixarmo-nos,
Ou viver pacientemente neste desterro de temor,
E escutar sorrindo o vosso canto sóbrio.
Se assim for,esquece a tua felicidade e dormita silenciosamente.
No entanto brota no teu peito uma réstea de esperança,
Tu ainda não podes,ó minha alma!Não podes ainda
Habituar-te e sonhas dentro de um sonho férreo!
Não estou em festa,mas gostaria de coroar-me de flores;
Não me encontro eu só?Mas algo apaziguador deve
Aproximar-se de mim vindo de longe e sou forçado a sorrir e a admirar-me
Por experimentar alegria no meio de tão grande sofrimento.

(tradução de Maria Teresa Furtado)




Alguns apontamentos sobre Diotima (a Diotima de O Banquete de Platão é a mesma de Holderlin em Hypérion bem como do poema de Vasco Graça Moura. Ela não é mais do que o símbolo do amor ideal e romântico):

"No Simpósio, de Platão, Sócrates revela que foi a sacerdotisa Diotima de Mantinea que o iniciou nos conhecimentos e na genealogia do amor. As idéias de Diotima estão na origem do conceito socrático-platônico do amor.

Diotima de Mantinea é uma filósofa grega com um papel importante no Simposyum de Platão. A filosofia de Diotima está na origem do conceito platónico de amor. A única fonte sobre ela é o próprio Platão e por isso não é possível assegurar se era uma personagem ou alguém que de facto tenha existido. Entretanto, praticamente todos os personagens dos diálogos platónicos correspoderam a pessoas que viviam na antiga Atenas. Na obra, há uma passagem sobre o significado do amor. Sócrates é o mais importante dentre os homens presentes. Ele diz que na juventude foi iniciado na filosofia do amor por Diotima, que era uma sacerdotisa. Diotima lhe ensinou a genealogia do amor e por isso as ideias de Diotima estão na origem do conceito socrático-platónico do amor. Segundo Jospeh Campbell, “não é por acaso que Sócrates nomeia Diotima como aquela que lhe deu as instruções e os métodos mais significativos para amar/falar. A palavra falada por amor é uma palavra que vem das origens.”

Álvaro de campos - Vida e Obras do Engenheiro


Um post sobre este livro é urgente dada a aproximação da dia que devo entregá-lo na Biblioteca Municipal donde o retirei. Sob este título, Álvaro de campos - Vida e Obras do Engenheiro, pretendia Pessoa reunir as obras e os apontamentos biográficos que conjuntamente, constituiriam a ficção por excelência da sua produção heteronímica. Teresa Rita Lopes prefacia esta colectânea de textos, em prosa e em verso, de Álvaro de campos que o dão a conhecer como ninguém. Como nos diz, "Campos não fez mais, ao longo da sua vida, do que se contar, contando também Pessoa de quem foi, física e moralmente, o auto-retrato melhorado. Através da vida do Engenheiro, Pessoa autobiografou-se com mais picante, mais acção, mais relevo." Selecciono um dos 63 textos inéditos que quando li, me deixou sobressaltada.

Tenho escripto mais versos que verdade.
Tenho escripto principalmente
Porque outros teem escripto.
Se nunca tivesse havido poetas no mundo,
Seria eu capaz de ser o primeiro?
Nunca!
Seria um individuo perfeitamente consentivel,
Teria casa propria e moral.
Senhora Gertrudes!
Limpou mal este quarto:
Tire-me essas idéas de aqui!


15/10/1930


Deixo uma página de apresentação da crítica literária Teresa Rita Lopes que muito admiro pela criatividade que impõe ao texto ensaístico, impondo, assim também, a sua singularidade entre os muitos críticos do momento. E claro está, é impossível não valorizar a dedicação apaixonada pelo "autor dos autores", Fernando Pessoa.

http://www2.fcsh.unl.pt/iemodernismo/teresa%20rita%20lopes.htm

Lali Puna - Together in Electric Dreams


Ana Bela Ana,


estou sem tempo para concretizar outros sonhos contigo, amiga, por isso te ofereço uma música de que gosto particularmente de Lali Puna (preparo convulsivamente textos para a acção de formação de 5ª e 3ª feiras próximas. Textos de que te falarei mais tarde... depois da encenação nas ditas sessões e de apreciar o efeito deles em todos).


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

La La La Ressonance e o seu ultimo album

La La La Ressonance, Outdoor


Doce Pat, hoje as minhas incursoes vao por novas ondas musicais! Sinto-me atordoada com a quantidade de bandas musicais desconhecidas para mim... Esta e mais uma delas...
(Sera que o teu Paulinho nao aprecia j´a estes sons?)
Esta banda (e que nome tao imaginativo LaLaLaRessonance!) , encontrei-a igualmente no JL e depertou-me logo logo a curiosidade pois a critica e´ muito favoravel a este grupo. Ora le um pequeno excerto:


ABSTRACTO OU DEFINIDO, ESTE E UM DISCO PARA OUVIR COM ATENÇAO OU ENTAO POR A TOCAR E DEIXAR A CABEÇA VAGUEAR POR ENTRE AS IDEIAS SUGERIDAS PELA MUSICA. PAISAGENS SONORAS SUCEDEM-SE COMO UMA VIAGEM MUSICAL ENTRE O COLORIDO INFANTIL DA CAPA (e que linda, amiguinha!) E MOMENTOS MAIS CEREBRAIS E INTROSPECTIVOS.

Formada em 2005, a banda deriva directamente e sem alterações no elenco dos The Astonishing Urbana Fall (TAUF). Nas palavras de Valter Hugo Mãe, “Poucos terão sido os projectos portugueses que elevaram as expectativas do seu público tanto quanto os TAUF.Pelos concertos inesquecíveis (durante muito tempo dados como eventos irrepetíveis, de encenação única), e pela estreia em disco com o ep Acetaminophen, esta banda marcou um tempo do nosso rock/pop criando um consenso de rara admiração e extensa legião de fiéis.

www.lalalaressonance.com

Steve Reich e Bang on a Can All-Stars, no CCB

Confesso a minha ignorancia: nao conheço nem nunca ouvi falar de Steve Reich, muito menos do grupo Bang on a Can All-Stars. Tropecei no artigo do JL deste mes, que destaca o concerto no CCB a 1 de Novembro, no ambito do Festival Temps d´Images 2009, e considera Steve Reich o "verdadeiro embaixador da musica contemporanea no mundo".
Quanto a Bang on a Can All-Stars, refere o dito artigo, que se trata de um grupo extremamente dinamico e que tem apresentado obras muito emblematicas e carismaticas, cimentando colaboraçoes com musicos importantes e distintos, fazendo referencia particular a Philip Glass. Refere ainda o dito artigo, que a transversalidade do repertorio e uma marca da sua identidade enquanto grupo maleavel desde a sua fundaçao.
Para saber mais:

domingo, 25 de outubro de 2009

"Desonra" adaptação cinematográfica da obra de J. M. Coetzee

Estreou no passado dia 22 de Outubro o filme que adapta esta obra do autor sul-africano J. M. Coetzee realizado por Steve Jacobs. O trailer mostra o interesse do filme e da obra que o inspirou. Aqui vai:


“Desonra”, adaptação da obra do Prémio Nobel J.M. Coetzee

"John Malkovich é o protagonista da adaptação desta obra que em 1999 venceu o Prémio Booker e que foi publicada em 2000 em Portugal pela Dom Quixote.“Desgraça” conta a história de David Lurie, um professor universitário da Cidade do Cabo, de meia-idade, divorciado, que divide o seu tempo entre o desânimo das aulas e as satisfações momentâneas que encontra numa prostituta. Quando esta deixa de o atender, David desvia as suas atenções para uma jovem aluna, começando uma aventura sexual que, quando tornada pública, o leva ao despedimento e à humilhação. Passada na África do Sul pós-apartheid, trata-se, segundo a Dom Quixote, “de uma história sobre a nova África do Sul, sobre questões políticas e pessoais, e que retrata uma sociedade num estado de metamorfose violenta.”J.M. Coetzee, Prémio Nobel em 2003, nasceu na Cidade do Cabo (África do Sul), em 1940, e estudou no seu país e nos Estados Unidos. Actualmente vive na Austrália. Em Portugal estão editados pela Dom Quixote os seu livros “No Coração Desta Terra”, “À Espera dos Bárbaros”, “A Vida e o Tempo de Michael K”, “A Ilha”, “A Idade do Ferro”, “O Mestre de Petersburgo”, “Desgraça”, “Elisabeth Costello”, “O Homem Lento” e “Diário de Um Mau Ano”.Segundo a Dom Quixote, “Verão”, a tradução portuguesa de “Summertime”, o seu mais recente romance, será editado em 2010."



in portalivros.wordpress

Paul Auster é vencedor do Prémio LETEO 2009


Não posso deixar de noticiar o prémio atribuído a Paul Auster, por incurável paixão...

"O escritor norte-americano Paul Auster é o vencedor da edição de 2009 do Prémio Leteo, que distingue anualmente em Espanha uma importante figura literária internacional.“Paul Auster é um representante da literatura alternativa norte-americana”, afirmou Rafael Saravia, poeta e fundador do Clube Leteo. “Nunca se submeteu aos gostos do mercado, e a sua fidelidade a uma linguagem pessoal fez com que o público norte-americano lhe voltasse as costas durante anos”, acrescentou.O Prémio Leteo pretende também destacar a qualidade e o valor da obra poética do escritor norte-americano, vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias de Literatura 2006, seguidora do simbolismo, e que se inspirou em Celan, Jabès e na poesia francesa do século XX.Paul Auster estará na presente na cidade espanhola de Leon para receber este galardão no final de Dezembro, onde será o protagonista das jornadas culturais do Club Leteo, que incluem uma exposição e um ciclo de cinema. O autor norte-americano vai também aproveitar esta oportunidade para lançar em Espanha, Invisível, o seu mais recente romance, que será publicado pela ASA em Outubro, em simultâneo com a edição original.O Prémio Leteo não tem qualquer dotação monetária e entre os seus distinguidos encontram-se personalidades como Martin Amis, Michel Houellebecq e Adonis."


In blogue da Asa

"As Três Vidas" de João Tordo - Vencedor do Prémio José Saramago

A apreciar a qualidade literária e originalidade dos livros dos anteriores autores vencedores do prémio José Saramago, é caso para dizer que todos aqueles cuja felicidade passa pelo encontro com a verdadeira literatura devem colocar este livro na lista de compras urgentes. Eu ainda não o comprei, ainda não o li, mas desconfio que quando o fizer vou ficar inevitavelmente mais feliz... Gonçalo M. Tavares com o romance "Jerusalém" (um verdadeiro colosso da literatura portuguesa e mundial!) Adriana Lisboa com "Sinfonia em Branco (cuja capa da 1ª edição da Temas e Debates mostra "Mulheres correndo na praia" de Picasso, que eu e a Anabela tanto gostamos), José Luís Peixoto com "Nenhum Olhar" (olhando profundamente para o real) ou Valter Hugo Mãe (a quem gostei muito de ouvir na Escritaria por ter visto confirmadas a sua inteligência narrativa e emocional) com "O remorso de Baltasar Serapião" foram promovidos com este mesmo prémio e, é verdade, que o mereciam muito. Muito mesmo.

Aqui fica a capa d' As Três Vidas", bastante apelativa e a apontar para o risco em que a vida se torna, quando tentamos desfrutar dela ao máximo e para a cidade pós-moderna como um bom segredo a desvendar... (será que erro muito nesta "leviana" análise paratextual???). Seja como for, ao autor, para já, bato palmas pelo título convivcente e curioso que arranjou para a sua mais recente produção.

Deixo notícias deste novo autor:

"João Tordo nasceu em Lisboa em 1975 num ambiente artístico. É filho do cantor Fernando Tordo e de Isabel Branco, ligada ao cinema e mais tarde à moda. Formou-se em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, tendo trabalhado algum tempo como jornalista freelancer (O Independente, Sábado, Jornal de Letras, ELLE e a revista Egoísta) antes de seguir para Londres para fazer um mestrado em Jornalismo. A paragem seguinte foi Nova Iorque, para fazer o curso de escrita criativa do City College. Foi nesta época que escreveu o livro «Os Homens sem Luz» (2004). Em 2007 publicou "Hotel Memória e em 2008 escreveu, em parceria, o guião para a longa-metragem «Amália, a Voz do Povo». Foi vencedor, em 2001, do prémio Jovens Criadores.
Instituído pela Fundação Círculo de Leitores com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas - Ministério da Cultura, o galardão celebra a atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 1998 ao escritor José Saramago. Com periodicidade bienal, o prémio tem um valor pecuniário de 25 mil euros e visa «promover a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita de jovens autores no domínio da ficção, romance ou novela em língua portuguesa, por escritores com idade até 35 anos». As edições anteriores do prémio contemplaram Paulo José Miranda (1999 - "Natureza Morta"), José Luís Peixoto (2001 - "Nenhum Olhar"), Adriana Lisboa (2003 - "Sinfonia em Branco"), Gonçalo M. Tavares (2005 - "Jerusalém") e Valter Hugo Mãe (2007 - "O remorso de Baltasar Serapião"). O prémio foi atribuído por um júri presidido por Guilhermina Gomes (em representação da Fundação Círculo de Leitores) e composto por Ana Paula Tavares, Nélida Piñon, Pilar del Rio e Vasco Graça Moura.


in TSF

sábado, 24 de outubro de 2009

Pina Bausch - a Srª do Bairro M. Tavares

Como é bela a dança coreografada e dançada por esta senhora, moradora do bairro de Gonçalo M. Tavares. Não podendo ser sua vizinha, sou sua espectadora...é admirável o modo como saem histórias dos movimentos dos bailarinos. Movimentos que se alimentaram de palavras. Palavras ditas, palavras escritas, palavras em rodopio, dançadas. Assim vale a pena ler histórias. A dança contemporânea aparece com Pina Baush a explicar a essência do ser humano. Histórias cheias de crueldade, de dor, de sofrimento, de desencontro e de absurdo. Bem ao gosto do Gonçalo M. Tavares. Bem ao meu gosto também. De todos os excertos que vi, parece-me que em todos é urgente encontrar uma saída nas encenações da sua dança. Acho-a fantástica. Deixo o endereço de uma coreografia imponente http://www.youtube.com/watch?v=KXVuVQuMvgA (no entanto vale a pena vê-la a ela a dançar, franzina, esguia e comovente na expressão de todos os seus gestos, mesmo dos que parecem mais banais...)

Vamos tomar um café com Pina...

A arte tem um fim?


"A finalidade da Arte é dar corpo à essência secreta das coisas, e não copiar a sua aparência."


Aristóteles

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Biblioteca - Gonçalo M. Tavares

O Rosto da Filosofia


Graças a ti Ana Bela Ana estou mais perto da biblioteca mensal de Gonçalo M. Tavares. Muito obrigada, amiga.



Biblioteca

Sobre Heidegger



Entre duas palavras há uma coisa, algo que instiga o homem a aproximar-se da mesa e do livro. É essa coisa que há entre as palavras que ele agora examina.Nada, dirão os outros. Um espaço entre dois factos, duas letras – um espaço entre a letra final da palavra que está à esquerda e a primeira letra da palavra que está à direita. No meio destas duas letras o espaço em branco, o vazio – mas é para lá que esse homem olha. Está obcecado por isso, por esse vazio, pelas várias coisas que se poderiam colocar lá dentro.
Depois de observar muito tempo esse vazio, o que ele vê são todas essas coisas que poderiam ocupar esse espaço.Como se todas as coisas do mundo fossem pormenores do vazio que só uma observação atenta consegue distinguir.


JL, 21 de Outubro – 3 de Novembro 2009



Heiddeiger é um filósofo arrebatador, considerado um dos mais criativos e interessantes filósofos do séc. XX. Tem uma biografia incrivelmente aliciante e uma vida amorosa digna de páginas literárias (a sua relação com uma mulher judia, numa Alemanha nazi ). Ele mostra-nos o contraste entre a concepção moderna do "ser" e a concepção Grega do ser e a partir dele esclarece-nos que a moderna sociedade da tecnologia colocou em primeiro plano simples atitudes manipulativas que anularam o verdadeiro significado da vida. Para Heiddeiger, a humanidade deixou de ter em conta a sua principal vocação que consiste em recuperar a verdadeira compreensão do ser, tal como os Gregos o conseguiram. Afirma, assim, que os filósofos posteriores perderam essa capacidade de entendimento. Quero saber muito mais deste filósofo alemão que é para M. tavares também uma referência da sua obsessão pelo vazio. Apetece-me citar Sartre ao dizer que o que eu sou “é fundamentalmente o desejo de ser”, citando Platão que por sua vez afirma que “desejo é falta”, indo em direcção ao vazio do M. Tavares, ao desencontro da felicidade, mas sempre com a vista posta na abertura que permite vislumbrá-la ao longe e chegar mito perto dela, como por vezes nos parece estarmos quase a conseguir alcançar o nariz com a língua. Também eu gosto de observar as coisas do mundo como pormenores do vazio como o que vai de uma letre a outra. Todos os bons escritores são obcecados por reflectir sobre a própria escrita em si (mecânica e reflexiva). M. Tavares não escapa a essa tara. E ainda bem para nós, leitores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Symphony of Science, We Are All Connected

Ouve o que acabei de encontrar! Uma sinfonia criada por John Boswell pegando nas vozes de quatro celebres cientistas: Sagan, Feynman (como gosto deste em particular!), deGrasse Tyson e Bill Nye (confesso a minha total ignorancia quanto a estes dois ultimos!). A musica vale o que vale, mas a ideia nao deixa de ser muito imaginativa! Esta ideia de tudo estar ligado ´´e linda ... complexa... e faz-nos pensar na fragilidade humana!


Deixo o link do sitio: http://symphonyofscience.com/

The Symphony of Science is a musical project by John Boswell designed to deliver scientific knowledge and philosophy in musical form. Here you can watch music videos, download songs, read lyrics and find links relating to the messages conveyed by the music.

Delirio, Laura Restrepo

Le o que encontrei para ti, doce Pat! Um pedacinho do Delirio... secundado por uma optima critica! Parece irresistivel...

Descrição geral do livro
Un hombre regresa a casa después de un corto viaje de negocios y encuentra que su esposa ha enloquecido completamente. No tiene idea de qué le ha podido ocurrir durante los tres días a investigar, sólo para descubrir lo poco que sabe sobre las profundas perturbaciones escondidas en el pasado de la mujer que ama. Narrada con talento y emoción, la historia principal de esta novela se fragmenta en otras que se anudan a través de personajes llenos de matices, y se cierra con un final bello y esperanzador, digno de un libro intenso y hermoso.

Laura Restrepo - una escritora colombiana

Ana Bela Ana, lembras-te deste título e deste nome feminino? Recordas-te da carta que ouvimos ler escrita por uma escritora de língua espanhola que não pôde estar na Escritaria 2009, com muita pena de Pilar del Rio? Aqui está o Delírio de que ouvimos falar. Também eu quero entrar em delírio com este lindo livro (que linda capa!). Ora vê quem ela é afinal (em voz alta e sonhadora!). Muitos beijos:

Laura Restrepo Casabianca nació en Bogotá en 1950. Se graduó en Filosofía y Letras en la Universidad de los Andes y posteriormente hizo un postgrado en Ciencias Políticas. Fue profesora de Literatura en la Universidad Nacional y del Rosario. Se dedicó a la política y al periodismo. Ha compaginado la militancia política con sus actividades como escritora y periodista, siendo nombrada en 1983 miembro de la comisión negociadora de la paz entre el gobierno y el grupo guerrillero M-19. En 2004 fue nombrada directora del Instituto de Cultura y Turismo de Bogotá, pero renunció poco después tras haber sido galardonada con el Premio de Novela Alfaguara.
En 1986 publicó su primer libro: Historia de un entusiasmo, fruto de sus experiencias con el M-19. Tuvo que exiliarse en México y Madrid hasta que el M-19 abandonó las armas y pasó a ser un partido de oposición. En 1997 gana el Premio Sor Juana Inés de la Cruz (Feria Internacional del Libro de Guadalajara, México) por su novela Dulce compañía. En 1998 se hizo acreedora del Prix France Culture que otorga la crítica francesa a la mejor novela extranjera publicada en Francia. En 2003 ganó el Premio Arzobispo Juan Sanclemente, otorgado por los alumnos del Liceo de Santiago de Compostela a la mejor novela en lengua española, y en 2004 el Premio Alfaguara de Novela por Delirio, en la que explora el mundo del narcotráfico colombiano y las profundidades de la mente humana a través de la historia de un hombre que busca devolverle la cordura a su esposa. También ha escrito varios ensayos y un libro para niños.

Historia de un entusiasmo (1986).
La isla de la pasión (1989).
Las vacas comen espaguetis (1989). Libro para niños.
En qué momento se jodió Medellín (1991). Ensayo.
Leopardo al sol (1993).
«Ensayo» en Otros niños (1993).
Dulce compañía (1995).
La novia oscura (1999).
La multitud errante (2001).
Olor a rosas invisibles (2002).
Delirio (2004).
Demasiados heroes (2009)
En colaboración:
Once ensayos sobre la violencia (1985).
Operación Príncipe (1988). Periodismo.
Del amor y del fuego (1991). Ensayo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Por que me falas nesse idioma? (ao Renato)

(Macke) Kairouan, 1914
Este post e destinado ao Renato, grande amigo de ha longa data.
Escolho um poema no feminino (como convem!) e uma musica muito apreciada pela Pat e por mim (sim Pat, concordo contigo, a musica do Rodrigo Leao e o vocalista dos Tinderstiks e magnifica... ). Renato, espero que gostes dos presentes... quero ver-te por aqui muitas vezes, terno amigo...

POR QUE ME FALAS NESSE IDIOMA?, Cecília Meireles

Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

E ao anoitecer - Al Berto

Para o FL : A Cidade ao anoitecer, Arte Maca 2009

E ao anoitecer

E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão

deixas viver sobre a pele uma criança de lume

e na fria lava da noite ensinas ao corpo

a paciência o amor o abandono das palavras

o silêncio

e a difícil arte da melancolia


Al Berto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Al Berto - Horto de Incêndio


Marcia Berenguer Cabral, Incêndio

Ana bela Ana,
a poesia faz-me muita falta enquanto não chega perto dos olhos, dos dedos , adormecida e quase a pegar fogo ao meu cabelo ao seu lado deitado como um ouvido, uma concha ...
Dois poemas que adoro de um poeta condenado à morte pelo SIDA
:
Incêndio
se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
continua e miudinha – não te assustes
são os teu antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde



zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo – diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas – com eles no chão


notas para o diário
deus tem que ser substituído rapidamente por poe-
mas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis,
vivos e limpos.

a dor de todas as ruas vazias.

sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste
silêncio. e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abis-
mo.
sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de aca-
bar comigo mesmo.

a dor de todas as ruas vazias.

mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do
deserto, e do acaso da vida. gosto dos enganos, da sorte e
dos encontros inesperados.
pernoito quase sempre no lado sagrado do meu cora-
ção, ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo.

a dor de todas as ruas vazias.

pois bem, mário - o paraíso sabe-se que chega a lis-
boa na fragata do alfeite. basta pôr uma lua nervosa no
cimo do mastro, e mandar arrear o velame.
é isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem
cadastro.

a dor de todas as ruas vazias.

sujo os olhos com sangue. chove torrencialmente. o
filme acabou. não nos conheceremos nunca.
a dor de todas as ruas vazias.

poemas adormeceram no desassossego da idade.
fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais
curto. e, por vezes, ouço-os no transe da noite. assolam-me
as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas. ..e
nada escrevo.
o regresso à escrita terminou. a vida toda fodida - e
a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.

a dor de todas as ruas vazias.

in Horto de Incêndio, Assírio & Alvim, Dezembro 2000, pp. 38 e 39

A casa dos Bicos, futuro abrigo da Fundaçao Jose Saramago

Doce Pat... ja saciei a minha curiosidade quanto a historia da Casa dos Bicos... Ai vai o que encontrei...
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Casa dos Bicos,
A Casa dos Bicos ou Casa de Brás de Albuquerque localiza-se em
Lisboa. A casa foi construída em 1523, a mando de D. Brás de Albuquerque, filho natural legitimado do segundo governador da Índia portuguesa, Afonso de Albuquerque, sendo destinada a habitação.
É situada a oriente do
Terreiro do Paço, perto de onde ficavam a Alfândega, o Tribunal das Sete Casas e a Ribeira Velha (mercado de peixe e de produtos hortícolas, com inúmeras lojas de comidas e vinhos).
Sua fachada está revestida de pedra aparelhada em forma de ponta de diamante, os "bicos", sendo um exemplo único de arquitectura civil residencial no contexto
arquitectónico lisboeta. Os "bicos" demonstram uma clara influência renascentista italiana. Na verdade, o proprietário da Casa dos Bicos mandou-a construir após uma viagem sua a Itália, onde terá visto pela primeira vez o Palácio dos Diamantes ("dei diamanti") de Ferrara e o Palácio Bevilacqua, em Bolonha. No entanto, sendo naturalmente menor que este palácios, a distribuição irregular das janelas e das portas, todas de dimensões e formatos distintos, conferem-lhe um certo encanto, reforçado pelo traçado das janelas dos andares superiores, livremente inspiradas nos arcos trilobados da época.
Na sua planta inicial tinha duas
fachadas de pedras cortadas em pirâmide e colocadas de forma desencontrada, onde sobressaltavam dois portais manuelinos, o central e o da extremidade oriental, e ainda dois andares nobres. A fachada menos importante, encontrava-se virada ao rio.
Com o
terramoto de 1755 tudo isto se destruiu e desapareceram estes dois últimos andares. A família Albuquerque vendeu-a em 1973, tendo até então sido utilizada como armazém e como sede de comércio de bacalhau.
Em
1983, por iniciativa do comissariado da XVII Exposição Europeia de Artes, Ciência e Cultura, foi reconstruída e foi reposta a sua volumetria inicial (foram acrescentados os dois andares que haviam desaparecido na tragédia), tendo servido como local de exposições. Na Casa dos Bicos funcionam hoje serviços da Câmara Municipal de Lisboa e, no futuro, a Fundação José Saramago, acolhendo a biblioteca do escritor prémio Nobel da Literatura.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Caim - o novo romance de Saramago

Podemos ler num dos paratextos linguísticos deste novo romance a seguinte evidência que anuncia o romance Caim:
“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele”

Em "Caim", novo romance de José Saramago, Deus e qualquer crença sucumbem sob uma narrativa em que se equilibram humor, ironia e muitas palavras duras. Sobra para cristãos e judeus. Em menos de 200 páginas, espalham-se embates quase filosóficos entre Caim e seu criador, no qual um discute a capacidade do outro de julgar ou ser julgado. Espectadores dessa luta, os leitores viajam por diversos episódios da Bíblia, da destruição de Sodoma e Gomorra ao dilúvio que exterminou a Humanidade, sempre pela óptica questionadora do rebelde Caim. Ou melhor, do ateu Saramago que, em entrevista por e-mail, diz que se limita a escrever o que pensa, deixando cada leitor fazer sua própria interpretação. Embora não tenha escrito ali nada de novo para aqueles que conhecem a sua profunda e propagada aversão às religiões, Saramago afirma que “Caim” tem um papel fundamental na sua bibliografia e na sua vida.


- Entre “O Evangelho segundo Jesus Cristo” e “Caim” passaram-se quase 20 anos. Durante todo este período o senhor continuou a falar sobre a inexistência, a inconfiabilidade ou a intransigência de Deus, mas não em forma de literatura. Como se deu a volta ao tema em livro?

“O Evangelho segundo Jesus Cristo” é literatura, não uma mera glosa dos episódios registados no “Novo Testamento”. O regresso ao tema religioso deu-se, portanto, de maneira natural, quase como uma continuidade de trabalho. O Caim que o senhor constrói é a voz da razão, da clareza de raciocínio, mostrando um Deus tão tirano e incompreensível que torna qualquer crença patética. - Qual foi sua intenção ao escrever o livro? E como acha que será a reacção a ele?

No fundo, o problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama. Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas à humanidade. São palavras duras, mas há que dizê-las. Quanto às reacções, não estão na minha mão. Cada um dirá o que entender conforme as suas convicções e as suas crenças.

- Entre tantas figuras bíblicas, por que a escolha de Caim? O que é que ele representa?

Desde há muitos anos que penso que a história de Caim, como tantas outras histórias bíblicas (por exemplo, a de David e Golias ou a de Job), é uma história mal contada. Não absolvo Caim, mas acuso Deus de ser o responsável do assassínio ao recusar a oferenda dele. Que diabo de Deus é este que para enaltecer um irmão despreza o outro?

- O senhor já disse várias vezes que cresceu sem formação religiosa. Chegou a ler ou a reler a Bíblia para escrever melhor os episódios do livro?

Para mim, a “Bíblia” é um livro a mais. Importante, sem dúvida, mas um livro. Como tal li-o e consultei-o sempre que necessitei. Desta vez concentrei-me no Génesis onde se encontram as figuras que tomei como personagens do livro.

- Outros ateus convictos, como Richard Dawkins e Christopher Hitchens vêm dedicando boa parte do tempo a uma espécie de cruzada antirreligiosa, lançando livros e participando de eventos nos quais reafirmam as suas ideias. Como é que o senhor vê essa empreitada?

Por mim não o faria. É praticamente impossível convencer alguém a virar as costas às suas crenças. Limito-me a escrever o que penso do assunto e deixo aos leitores a inteira liberdade de fazer o que entendam. O único que peço para mim é respeito.

- O senhor acredita que ainda é possível a existência de um mundo sem religião? O pessimismo de Caim em relação à Humanidade é também o seu?

Penso que não merecemos a vida, penso que as religiões foram e continuam a ser instrumentos de domínio e morte. Em suma, Caim teve razão para tentar impedir que outra humanidade substituísse a que teria morrido no dilúvio. Afinal, se a primeira era má, esta é péssima.. Apesar disso, todo o livro é pontuado por muito humor, com cenas que convidam o leitor a reflectir sobre a narrativa.

- Divertiu-se ao escrevê-lo?

Diverti-me bastante, mas sobretudo gozei com o facto de ter podido meter a ironia e o humor num tema em princípio tão dramático.

- Qual o papel de “Caim” em sua bibliografia? Já disse que não é um acerto de contas com Deus. Mas vê nele um significado especial?

Pela maneira como enfrentei o assunto, pela linguagem com o que o tratei, considero este livro fundamental, quer na minha bibliografia, quer na minha vida.

Prosa & Verso, O Globo (!com correcções minhas no Português!)


Um excerto da obra para os curiosos ou apaixonados por Literatura:

"(...) Sucedeu então algo até hoje inexplicado. O fumo da carne oferecida por abel subiu a direito até desaparecer no espaço infinito, sinal de que o senhor aceitava o sacrifício e nele se comprazia, mas o fumo dos vegetais de caim, cultivados com um amor pelo menos igual, não foi longe, dispersou-se logo ali, a pouca altura do solo, o que significava que o senhor o rejeitava dia ser que houvesse ali uma corrente de ar que fosse a causa do distúrbio, e assim fizeram, mas o resultado foi o mesmo. Estava claro, o senhor desdenhava caim. Foi então que o verdadeiro carácter de abel veio ao de cima. Em lugar de se compadecer do desgosto do irmão e consolá-lo, escarneceu dele, e, como se isto ainda fosse pouco, desatou a enaltecer a sua própria pessoa, proclamando-se, perante o atónito e desconcertado caim, como um favorito do senhor, como um eleito de deus. (...) A cena repetiu-se, invariável, durante uma semana, sempre um fumo que subia, sempre um fumo que podia tocar-se com a mal e logo se desfazia no ar. E sempre a falta de piedade de abel, os dichotes de abel, o desprezo de abel. Um dia caim pediu ao irmão que o acompanhasse a um vale próximo onde era voz corrente que se acoitava uma raposa e ali, com as suas próprias mãos, o matou a golpes de uma queixada de jumento que havia escondido antes num silvado, portanto com aleivosa premeditação. Foi nesse exacto momento, isto é, atrasada em relação aos acontecimentos, que a voz do senhor soou, e não só soou ela como apareceu ele. (...) Que fizeste com o teu irmão, perguntou, e caim respondeu com outra pergunta, Era eu o guarda-costas de meu irmão, Mataste-o, Assim é, mas o primeiro culpado és tu, eu daria a vida pela vida dele se tu não tivesses destruído a minha, Quis pôr-te à prova, E tu quem és para pores à prova o que tu mesmo criaste, Sou o dono soberano de todas as coisas, E de todos os seres, dirás, mas não de mim nem da minha liberdade, Liberdade para matar, Como tu foste livre para deixar que eu matasse a abel quando estava na tua mão evitá-lo, bastaria que por um momento abandonasses a soberba da infalibilidade que partilhas com todos os outros deuses, bastaria que por um momento fosses realmente misericordioso, que aceitasses a minha oferenda com humildade, só porque não deverias atrever-te a recusá-la, os deuses, e tu como todos os outros, têm deveres para com aqueles a quem dizem ter criado, Esse discurso é sedicioso, É possível que o seja, mas garanto-te que, se eu fosse deus, todos os dias diria Abençoados sejam os que escolheram a sedição porque deles será o reino da terra, Sacrilégio, Será, mas em todo o caso nunca maior que o teu, que permitiste que abel morresse, Tu é que o mataste, Sim, é verdade, eu fui o braço executor, mas a sentença foi dada por ti, O sangue que aí está não o fiz verter eu, caim podia ter escolhido entre o mal e o bem, se escolheu o mal pagará por isso, Tão ladrão é o que vai à vinha como aquele que fica a vigiar o guarda, disse caim, E esse sangue reclama vingança, insistiu deus, Se é assim, vingar-te-ás ao mesmo tempo de uma morte real e de outra que não chegou a haver, Explica-te, Não gostarás do que vais ouvir, Que isso não te importe, fala, É simples, matei abel porque não podia matar-te a ti, pela intenção estás morto, Compreendo o que queres dizer, mas a morte está vedada aos deuses, Sim, embora devessem carregar com todos os crimes cometidos em seu nome ou por sua causa (...)"


Uma pequena amostra da crítica da obra:

Segundo Juan Arias "Para Saramago, deus não é mais que um pretexto para que as religiões possam melhor escravizar a consciência humana. Com “Caim”, ele trata de deitar, literariamente, sobre o tapete do mundo, esta crua realidade. Ao mesmo tempo, e apesar de seu ateísmo, devemos a ele uma das definições mais poéticas da divindade: “Deus é o silêncio do universo, e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio”, afirmou ele em certa ocasião. Afinal, deus não é para ele tão indiferente como possa parecer. “Caim”, definitivamente, é também um grito contra todos os deuses falsos e ditadores criados para amordaçar o homem, impedindo-o de viver, em total liberdade, sua vida e seu destino."
Um sítio em que se pode ver um videoclipe do lançamento de Caim em Penafiel:

Dulcineia (um post a Ana Arminda)

Deliciosa amiga, ai vai a musica que pediste... acompanhada de muitos beijos saudosos e sem acentuaçao...

DULCINEIA, José Saramago

Quem tu és não importa, nem conheces
O sonho em que nasceu a tua face:
Cristal vazio e mudo.
Do sangue de Quixote te alimentas,
Da alma que nele morre é que recebes
A força de seres tudo.



domingo, 18 de outubro de 2009

Historias...e mais historias...

Doce Pat, um presente para nos, em memoria do dia de ontem, dia de outuno e utopia ... inesquecivel! (Guardo o teu CD comigo... a primeira musica e soberba... a minha favorita...)
Caros leitores, o novo CD do Rodrigo Leao (Mae) vale mesmo a pena! Do melhor que se vai fazendo em Portugal... se nao acreditam ouçam este video...

sábado, 17 de outubro de 2009

Escritaria 2009


Algumas fotos do dia de hoje, 17 de Outubro, dia em que eu e a minha Pat, de maos bem juntinhas, estivemos ao lado de Jose Saramago no escritaria... E conseguimos abraça-lo e beija-lo! A doce Pat ainda consegue dizer-lhe palavras belas, lindas, como so ela sabe dizer! e os olhos dele brilharam de satistafaçao e agradecimento... esboçando um timido sorriso, triste, talvez resignado por saber que nao vivera muito mais tempo... Tambem eu fiquei impressionada de o ver... mas feliz, muito feliz...
A emoçao e tao forte que nao consigo dizer muito mais... E que, nao e todos os dias que abraçamos um escritor tao querido...
Talvez venha a falar da bondade do autor de Caim... Por enquanto um poema de Saramago que encontrei e
algumas fotos para saborear ao som da musica "Imortal", pois Saramago ja e imortal!




INTIMIDADE, Jose Saramago



No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.





A companhia de teatro "Andaime" dramatizando excertos da obra de Saramago



O auditorio, Museu de Penafiel

A entrada de Jose Saramago no auditorio ao lado de Manuel Andrade, organizador do Escritaria

Saramago

Alguns elementos da mesa que fizeram parte dos coloquios da tarde

Da esquerda para a direita, Valter Hugo Mae (escritor vencedor do premio literario Jose Saramago em 2007); o realizador brasileiro de "Ensaio sobre a cegueira"Fernando Meirelles e Manuel Andrade (organizador do escritaria). Pillar del Rio sentada ouvindo atentamente... e sempre apaixonada...

Alunos de uma escola de 1ºciclo de Penafiel leem um conto de Jose Saramago

Entrega de oferta a Saramago


Da esquerda para a direita: o presidente da camara de Penafiel, Saramago, Joao Tordo (vencedor do premio literario Saramago deste ano) e José Manuel Mendes





Leonard Cohen

Uma música e uma frase de Leonard Cohen:

"We are uggly but we have the music"

Chelsea Hotel

Ao Anselmo, novo leitor

Obrigada ao Anselmo, que do outro lado do Atlantico nos faz chegar um eco de encorajamento!
O seu blog e igualmente interessante. Deixamos aqui o endereço, para consulta de todos os interessados! Vale mesmo a pena.
Como vem sendo habito, oferecemos-lhe um presente! Hoje, uma musica portuguesa. Espero que goste e que continue a visitar-nos...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mulher


Para ti, doce Pat, tao bela... tao meiga... tao linda...

Manuela Pinheiro, Mulher

RETRATO DE MULHER TRISTE, Cecília Meireles

Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.

O homem de génio por Pessoa


Ana Bela Ana,

para responder à questão da Clara Ferreira Alves nada melhor do que este texto GENIAL do próprio Pessoa.


"O homem de génio é um intuitivo que se serve da inteligência para exprimir as suas intuições. A obra de génio — seja um poema ou uma batalha — é a transmutação em termos de inteligência de uma operação superintelectual. Ao passo que o talento, cuja expressão natural é a ciência, parte do particular para o geral, o génio, cuja expressão natural é a arte, parte do geral para o particular. Um poema de génio é uma intuição central nítida resolvida, nítida ou obscuramente (conforme o talento que acompanhe o génio), em transposições parciais intelectuais. Uma grande batalha é uma intuição estratégica nítida desdobrada, com maior ou menor ciência, conforme o talento do estratégico, em transposições tácticas parciais. O génio é uma alquimia. O processo alquímico é quádruplo: 1) putrefação; 2) albação; 3) rubificação; 4) sublimação. Deixam-se, primeiro, apodrecer as sensações; depois de mortas embranquecem-se com a memória; em seguida rubificam-se com a imaginação; finalmente se sublimam pela expressão. "


Fernando Pessoa, in "Ideias Estéticas - Da Literatura"

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A tragedia da existencia...

Doce amiga, este video parece-me optimo para aproveitares nas tuas aulas e como forma de motivaçao! Devorei-o e copio a questao da Clara Ferreira Alves:



«Mas afinal, como e que um modesto, pacato e discreto empregado de escritorio, se transforma num genio?»

Espero que gostes...

O banqueiro anarquista

Doce amiga! Hoje ouvi o teu CD e fiquei surpreendida comigo pois parece-me que tambem eu sou... anarquista!
Que belo tratado filosofico!
Adorei as reflexoes em tom de dialogo e em torno da figura carismatica do banqueiro. Desconhecia totalmente este texto mas sem duvida que deve ser muito apreciado no mundo literario. Obrigada doce Pat, amanha voltarei a ouvi-lo se deus quiser... ou se qualquer outra ficçao quiser...
Entretanto uma entrevista (pouco interessante e muito pobre em termos de conteudo, diga-se) mas com Pessoa, na figura do declamador do teu CD.


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Pastelaria, Cesariny


PASTELARIA, Mário Cesariny

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita genteque come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ao longo da palavra

Fauna in la Mancha by Vladimir Kush
AO LONGO DA MURALHA, Mário Cesariny

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Joana Graça, pintora de imaginários





Joana Graça é formada em Psicologia Clínica pela Universidade de Lisboa. Desde pequena que gosta de desenhar e pintar, rir e dançar. Na faculdade frequentou cursos de teatro, dança contemporânea e pintura. Participou também no Coro da Universidade de Lisboa, onde se divertiu muito a cantar. O teatro de marionetas de Óbidos foi e é uma das suas experiências mais maravilhosas… lá ela é contadora de histórias de contos de fadas em cenários de encantar. A ilustração surgiu de surpresa, pelo gosto de contar estórias e de expressar um mundo que há muito habitava nela… Colaborou com o Oceanário, a convite do grupo de Concerto para bebés, e elaborou uma história para um livro, que se pretende publicar. Depois, o convite da revista Pais e Filhos para elaborar a agenda 2008. Durante este percurso, foi aprendendo sozinha, com intuição e muita… muita vontade de inspirar e fazer sonhar…
Mais informaçoes em:

domingo, 11 de outubro de 2009

Li esta crónica nestas férias de verão na revista Ler e fiquei curiosa por saber mais sobre este livro. Também eu, como diz José Mário Silva, gosto de livros sobre outras pessoas obcecadas por livros. Este presumível obcecado francês, Jacques Bonnet, deve vir a caminho, dentro de um invólucro almofadado, de minha casa. Só espero que os fantasmas não se instalem para lá das prateleiras da biblioteca que cá temos...

"As pessoas obcecadas por livros tendem a gostar de livros sobre outras pessoas obcecadas por livros. A bibliofilia não é apenas uma doença crónica; é também contagiosa. Ao lermos sobre as grandes bibliotecas pessoais – com dezenas ou centenas de milhares de volumes – aspiramos a uma igual desmesura, subitamente embaraçados com a pequenez, a desordem e as lacunas da dúzia e meia de estantes lá de casa. Melhor dito: as pessoas obcecadas por livros tendem a gostar de livros sobre outras pessoas ainda mais obcecadas por livros do que elas. E foi por isso que devorei de uma assentada o ensaio breve de Jacques Bonnet intitulado Des bibliothèques pleines de fantômes (Denoël, 2008, 138 páginas).Editor, tradutor e autor de livros sobre pintura, Bonnet é um bibliómano que nos escancara a sua bibliomania, não escondendo um certo exibicionismo e uma certa ostentação (nalguns casos até uma certa vaidade), próprios de qualquer bibliómano que se preze. Por muito que mencione as bibliotecas dos outros, ele regressa sempre à sua, minuciosamente descrita em dezenas de páginas que chegam assemelhar-se a um catálogo bibliográfico. Através dos seus livros, é a sua vida, é a sua biografia que se desenha. Nada de muito espantoso, diga-se. Faz parte da natureza das bibliotecas tornarem-se um espelho do seu proprietário. E quem as saiba «descodificar com subtileza» encontrará nelas, mais ou menos escondida, «a natureza profunda do seu bibliotecário».Ao recordar a forma como chegou a certos livros, Bonnet revela, de facto, alguns aspectos da sua personalidade, como a perseverança e a extrema atenção aos detalhes. Por exemplo, a abrir o ensaio, aborda o célebre episódio em que Fernando Pessoa se candidatou ao lugar de conservador-bibliotecário do museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais, corria o ano de 1932. Como se sabe, o poeta dos heterónimos acabaria por ser recusado, em favor de um «pintor obscuro». Ao citar a carta de candidatura de Pessoa, com a sua «retórica insólita», Bonnet explica que a encontrou reproduzida na Fotobiografia de Maria José de Lencastre (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por si comprada em 1983, por 500 escudos, numa livraria de Coimbra, cidade em que se lembra de ter visto uma mulher a andar na rua com uma máquina de costura equilibrada sobre a cabeça.Na linha do que sugeriram Borges e Bachelard, para Bonnet a biblioteca é o que mais se aproxima da ideia de paraíso terrestre. Ela é um «concentrado de tempo e de espaço», protege da «hostilidade exterior», como se fosse um útero, e confere «um sentimento de poder absoluto». Rodeado pelos seus livros, o bibliómano nunca se sente desamparado. Sabe que tem, sempre ao seu alcance, os instrumentos necessários para interpretar a realidade. E não lhe falem da Internet e suas infinitas reservas de informação. Por muito que se encontre por lá tudo o que se queira saber, quase instantaneamente, ela é «desprovida de fantasmas», diz Bonnet, falta-lhe a dimensão «divina».A maior parte do ensaio centra-se nas alegrias e tormentos de quem possui uma biblioteca «monstruosa», com dezenas de milhares de livros. E não faltam histórias incríveis. Como a de Antoine-Marie-Henri Boulard (1754-1825), que encheu nove prédios, adquiridos expressamente para receberem os seus 600 mil livros – após a sua morte, ao venderem a colecção, os filhos inundaram o mercado, baixando durante muitos anos os preços nos alfarrabistas. Ou a de Charles-Valentin Alkan, pianista virtuoso que morreu esmagado por uma estante, em 1888, o que o habilita ao estatuto de «santo mártir» dos bibliófilos. Ou a daquele condenado à guilhotina que continuou a ler enquanto o conduziam ao cadafalso e, chegada a hora, marcou a página onde estava, antes de entregar o pescoço à lâmina.Além de analisar as complexas questões logísticas e imobiliárias associadas às bibliotecas proliferantes, Bonnet dedica muito espaço ao bicudo problema da classificação e arrumação, multiplicando hipóteses, sistemas e estratégias. Eu, à minha reduzida escala, também conheço o dilema. Não sei, por exemplo, onde colocar, agora que acabei de o ler, este livrinho a abarrotar de livros (e de fantasmas) lá dentro."

José Mário Silva

Texto publicado no n.º 82 da revista Ler

"Senhores Projectos"


Acabo de saber, ainda a proposito da colecçao "O Bairro" de G. M. Tavares, que alunos do curso de Arquitectura da Universidade de Lisboa, construiram uma maqueta do bairro e que foi motivo para a abertura de uma exposiçao, inaugurada em Julho deste ano, e estranhamente apelidada de "Senhores Projectos". Que coincidencia... (ironia!)